OPERÁRIA
Acordo cedo.
O sol nem nasceu.
Em pé e dentro de um ônibus atravesso a cidade.
Começo então meu ofício de juntar palavras.
Palavras caídas no chão e outras voando no tempo.
Capturo-as e junto com minha enxada.
Mexendo e remexendo na lida diária pra formar o cimento,
Pra juntar os tijolos das inconclusões e construir a minha casa.
Casa que faço e desfaço com as mãos calejadas.
Casa que faço e desfaço com um sorriso largo e lágrimas nos olhos.
Hora do almoço.
Meu corpo suado e magro e forte nem sentiu o tempo passar.
Abro a marmita e dentro outras poucas palavras, preparadas com cuidado, brincam de me saciar.
Volto ao trabalho.
No cimento meu suor.
O dia finda, pego no sono ali mesmo.
Idéias infindas enfileiradas e outras encostadas pelos cantos aguardam o amanhecer.
Patricia de Oliveira
14 agosto de 2012
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