terça-feira, 14 de agosto de 2012



                                                                 OPERÁRIA

 Acordo cedo.
 O sol nem nasceu.
 Em pé e dentro de um ônibus atravesso a cidade.

 Começo então meu ofício de juntar palavras.
 Palavras caídas no chão e outras voando no tempo.
 Capturo-as e junto com minha enxada.
 Mexendo e remexendo na lida diária pra formar o cimento,
 Pra juntar os tijolos das inconclusões e construir a minha casa.
 Casa que faço e desfaço com as mãos calejadas.
 Casa que faço e desfaço com um sorriso largo e lágrimas nos olhos.

 Hora do almoço.
 Meu corpo suado e magro e forte nem sentiu o tempo passar.
 Abro a marmita e dentro outras poucas palavras, preparadas com cuidado, brincam de me saciar.

Volto ao trabalho.
No cimento meu suor.

O dia finda, pego no sono ali mesmo.

Idéias infindas enfileiradas e outras encostadas pelos cantos aguardam o amanhecer.

 Patricia de Oliveira
 14 agosto de 2012

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