quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012








Lá fora é tempestade.
Procuro em minh'alma abrigos:
Guarda-chuvas,
Arco-íris,
Piqueniques em cachoeiras,
Canções de cigarras,
Cadernos de desenhos , lápis de cores,
Sóis poentes , sóis nascentes e 
Luas holofotes brilhando no mar.


Então sinto um calor genuíno de agasalho tricotado pela própria mãe.


Patricia de Oliveira
29 de fevereiro de 2011


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012


....Que eu possa ter sempre um feixe de lenha    debaixo do meu fogão de taipa e acender, eu   mesma,o fogo alegre da minha casa na manhã    de um novo dia que começa.


       Saber Viver ( CORA CORALINA )

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


                                                     ESTATUTO DO HOMEM 
                                                         (Ato Institucional Permanente) 
  
                                                                         A Carlos Heitor Cony 
  
    Artigo I 
  
   Fica decretado que agora vale a verdade. 
   agora vale a vida, 
   e de mãos dadas, 
   marcharemos todos pela vida verdadeira. 
  
  
   Artigo II
   Fica decretado que todos os dias da semana, 
   inclusive as terças-feiras mais cinzentas, 
   têm direito a converter-se em manhãs de domingo. 
  
  
   Artigo III 
  
   Fica decretado que, a partir deste instante, 
   haverá girassóis em todas as janelas, 
   que os girassóis terão direito 
   a abrir-se dentro da sombra; 
   e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, 
   abertas para o verde onde cresce a esperança. 
  
  
   Artigo IV 
  
   Fica decretado que o homem 
   não precisará nunca mais 
   duvidar do homem. 
   Que o homem confiará no homem 
   como a palmeira confia no vento, 
   como o vento confia no ar, 
   como o ar confia no campo azul do céu.


  
           Parágrafo único: 
  
           O homem, confiará no homem 
           como um menino confia em outro menino. 
  
  
   Artigo V 
  
   Fica decretado que os homens 
   estão livres do jugo da mentira. 
   Nunca mais será preciso usar 
   a couraça do silêncio 
   nem a armadura de palavras. 
   O homem se sentará à mesa 
   com seu olhar limpo 
   porque a verdade passará a ser servida 
   antes da sobremesa. 
  
  
   Artigo VI 
  
   Fica estabelecida, durante dez séculos, 
   a prática sonhada pelo profeta Isaías, 
   e o lobo e o cordeiro pastarão juntos 
   e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. 
  
  
   Artigo VII


   Por decreto irrevogável fica estabelecido 
   o reinado permanente da justiça e da claridade, 
   e a alegria será uma bandeira generosa 
   para sempre desfraldada na alma do povo. 
  
  
   Artigo VIII 
  
   Fica decretado que a maior dor 
   sempre foi e será sempre 
   não poder dar-se amor a quem se ama 
   e saber que é a água 
   que dá à planta o milagre da flor. 
  
  
   Artigo IX


   Fica permitido que o pão de cada dia 
   tenha no homem o sinal de seu suor. 
   Mas que sobretudo tenha 
   sempre o quente sabor da ternura. 
  
  
   Artigo X


   Fica permitido a qualquer pessoa, 
   qualquer hora da vida, 
   o uso do traje branco. 
  
  
   Artigo XI 
  
   Fica decretado, por definição, 
   que o homem é um animal que ama 
   e que por isso é belo, 
   muito mais belo que a estrela da manhã. 
  
  
   Artigo XII 
  
   Decreta-se que nada será obrigado 
   nem proibido, 
   tudo será permitido, 
   inclusive brincar com os rinocerontes 
   e caminhar pelas tardes 
   com uma imensa begônia na lapela.


  
           Parágrafo único: 
  
           Só uma coisa fica proibida: 
           amar sem amor. 
  
  
   Artigo XIII 
  
   Fica decretado que o dinheiro 
   não poderá nunca mais comprar 
   o sol das manhãs vindouras. 
   Expulso do grande baú do medo, 
   o dinheiro se transformará em uma espada fraternal 
   para defender o direito de cantar 
   e a festa do dia que chegou. 
  
  
   Artigo Final. 
  
   Fica proibido o uso da palavra liberdade, 
   a qual será suprimida dos dicionários 
   e do pântano enganoso das bocas. 
   A partir deste instante 
   a liberdade será algo vivo e transparente 
   como um fogo ou um rio, 
   e a sua morada será sempre 
   o coração do homem.


  Thiago de Mello 
Santiago do Chile, abril de 1964
                                                        ESTIMA DO ALTO

Você sabe porque Deus fez as pernas do passarinho céleres, porém 
       fracas?
  É que o autor da vida sabia do potencial de suas asas.


                                     (Patricia de Oliveira)

Luiz Gonzaga - Numa Sala de Reboco

                         
                                                  "PRA QUÊ COISA MAIS MIÓ?"

CLARICE- VEM DE ESCLARECER.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012


Dentro de mim...

Dentro de mim tem fada, tem bruxa,
Tem claro e escuro,
Tem riso e choro,
Tem samba, bolero e música clássica.
Dentro de mim tem apartamento, casa e cemitério,
Tem chácara e gaiola dentro de mim.

Queria que só tivesse fada,
Mas foi a bruxa que outro dia me deu a chave de um velho porão.

Queria que só tivesse claro, mas é o escuro que me faz imaginar, criar novamente aquilo que toco.

Queria que só tivesse riso, mas foi o choro que outro dia fez com que eu percebesse o outo que estava ao lado.

Queria que só tivesse amor, mas é a falta dele que me faz correr atrás das estrelas. Tudo bem que corro por entre grades, mas foram as grades que me fizeram dar tanto valor às estrelas.È o escuro que faz com que elas apareçam.

O Samba, o bolero e a música clássica esses sim dançam e cantam dentro de mim sem problemas...
Mas existe um rock pesado que eu não queria...

Tenho apartamentos e cemitérios...
Que os mortos respirem fundo, se levantem , sorriam, derrubem os apartamentos e plantem no lugar àrvores. Não com a intensão de desfrutar da sombra, mas pelo prazer de plantar.
Dentro de mim, cresce capim...insisto em capinar. Amarga ilusão.
Deveria parar e observar melhor... Talvez dentro deste capim existam vidas tantas. E eu não quero que as enxadas acabem com elas.
È que eu não sabia... Minha intensão é tornar belo este mato todo.
Quanta pretensão ! O mato é belo por natureza!
Que eu olhe para o mato crescido e para as cigarras com o mesmo olhar.
Respirar fundo pra perceber que "não existe mal".
E eu que pensava saber o que mora dentro de mim.
Tem coisa que entra sem pedir licença, sem a gente ver... È que as portas estõo abertas...
Tudo o que mais quero agora, não é que as bruxas, os cemitérios ou o choro saiam daqui.
O que mais quero é ter um sorriso sincero pra tudo isso que forma minha carne.
O que mais quero é que a fada escreva uma canção e chame a velha bruxa pra dançar. E que elas voem na mesma vassoura rumo às estrelas.

(Patricia de Oliveira)

Cláudio Nucci-ACONTECÊNCIA/ CIRANDA DO SASSÁ/PELO SIM/ PELO NÃO


"TEM SOM DE ROUPA QUANDO SECA NO VARAL".

Cláudio Nucci - TOADA



"TEM SOM DE RIO NUMA CORDA DE METAL"
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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Phil Collins (Take A Look At Me Now) l egendado





A CIGARRA E A FORMIGA (A FORMIGA BOA) (Monteiro Lobato) 




        Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
        Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas, Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
        A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
       Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...
       Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
     - Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
     - Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
      A formiga olhou-a de alto a baixo.
    - E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?
      A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
    - Eu cantava, bem sabe...
    - Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
   - Isso mesmo, era eu...
    Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora!        Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
   A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
 

                                                                        Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

                                             Visionário


   Democracia, sei que ainda não estamos maduros para decidir os nossos próprios destinos.
    Sei que estamos acomodados porque decisão exige ação.
    Democracia, vejo o senso de coletividade dando lugar pro "puxar a brasa pra própria sardinha".
  E em todos os pequenos governos( escolas, condomínios e famílias) observo a barganha nas relações.
  Sabe democracia,reclamamos incessantemente das corrupções alheias e estamos sempre prontos a malhar o primeiro "Judas" que apareça. Talvez assim pensamos esconder nossas próprias corrupções diárias: tudo aquilo que levamos para casa e que não nos pertence.
  Democracia, sei que és apenas um bebê, mas espero que as tristezas não nos afastem do teu berço. Que nos aproximemos e cuidemos de ti, e que saibamos que cuidar de ti é também cuidar de nós.
   Nos ajude, nos ensine a cuidar de nossas próprias flores e a fazer da Terra finalmente um grande jardim. Sei que este é o teu intento!
   E então, já crescida, te sentarás em nossa sala. Te serviremos café , conversaremos à noite toda e lá de fora escutarão nossos sorrisos revendo as fotos do teu tempo de criança.