quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

                                                       Almas perfumadas

  Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, ou de sol quando acorda. De flor quando ri. 
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. 
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete, melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. 
O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. 
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. 
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz. 
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. 
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa, do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim. 
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo, corre em outras veia pulsa em outro lugar. 
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro. 
Tem gente, como você, que nem percebe como tem a alma perfumada! E que esse perfume é dom de Deus.

(Ana Cláudia Saldanha Jácomo)                  

domingo, 22 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MEU MAIS RECENTE TRABALHO DE MOSAICO COM REVISTAS RASGADAS.
RELEITURA DO FAMOSO QUADRO: O CRISTO ORANTE.


Inventar: O vento dentro da gente agindo.


 E para que isto aconteça é preciso esvaziar-se. 


 Só inventa quem se esvazia.






                                      Patricia de Oliveira


                                                     Janeiro 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A imagem da peleja da evolução. Com muita graça é claro!



Foto tirada em Olhos d"água

O Elefante



 O caminho para a felicidade não é reto. 

Existem curvas chamadasEQUÍVOCOS, 
existem semáforos chamadosAMIGOS, 
luzes de cautela chamadas FAMÍLIA, 
e tudo se consegue se tens: um estepe chamado DECISÃO, 
um motor poderoso chamadoAMOR, 
um bom seguro chamado Fé, 
combustível abundante chamadoPACIÊNCIA, 
mas acima de tudo um motorista habilidoso chamado DEUS! 

2.3.jpg
 
Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu:
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade

A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis​​, se eu sou amável, 
que as pessoas são tristes, se estou triste, 
que todos me querem, se eu os quero, 
que todos são ruins, se eu os odeio, 
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio, 
que há faces amargas, se eu sou amargo, 
que o mundo está feliz, se eu estou feliz, 
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva, 
que as pessoas são gratas, se eu sou grato. 
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
 
 
"Quem quer ser amado, ame"




É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão. (Confúcio)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012




Algumas palavras tem elixir guardado dentro delas e quando se fala ele jorra pro mundo material.
"E disse Deus: Haja luz. E houve luz".
Até Deus precisou falar!

Patricia de Oliveira em : janeiro de 2012

kairos

Quando a idade separa?
Quando a idade da alma parece corresponder aos exatos anos que a pessoa viveu.
E aí:
O corpo por mais que pareça encaixar, não encaixa.
a vontade de ir embora fica maior do que tudo.
e então:
dois estrangeiros se despedem.
Quando a idade não importa?
Quando a idade da alma não corresponde aos exatos anos vividos pela pessoa.
Quando os olhos se iluminam e se encontram no outro.
E o tempo parece não existir.
E tudo era bom se permanecesse.
Fluindo naturalmente,
Feito água de rio.
E a gente lembra do outro em tudo que faz.
Porque já não seguimos  sozinhos.
E então dois conterrâneos se abraçam, sorriem, trocando confidências , músicas, beijos e abraços.

Patricia de Oliveira



p.s- Na mitologia grega, Chronos ou Khronos (em grego Χρόνος, que significa ‘tempo’; em latim Chronus) era a personificação do tempo. Também era habitual chamar-lhe Eón ou Aión (em grego Αίών).
Os gregos antigos tinham duas palavras para o tempo: chronos e kairos. Enquanto chronos refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, kairos refere-se a um momento indeterminado no tempo, em que algo especial acontece, em Teologia, é "o tempo de Deus"

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Elefante
Carlos Drummond de Andrade





Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.

Carlos Drummond de Andrade
(Em A Rosa do Povo)

Extra Cidade Negra e Gilberto Gil


ABRA-SE CADABRA-SE O TEMOR.